
Criada durante o gestão do ex-governador Antônio Carlos Magalhães, a rede Cesta do Povo nasceu com um objetivo claro: garantir acesso a alimentos básicos a preços reduzidos para famílias de baixa renda em todo o estado da Bahia. A iniciativa surgiu em um contexto de forte preocupação com o custo de vida da população mais pobre, funcionando como um instrumento de política pública para combater a inflação dos alimentos e ampliar o acesso à cesta básica.
Durante seus primeiros anos, a Cesta do Povo viveu um período considerado por muitos como sua fase de maior relevância social. O modelo era relativamente simples: o Governo da Bahia negociava diretamente com fornecedores, muitas vezes produtores de baixa e média produtividade, comprando grandes volumes de alimentos da cesta básica e repassando esses produtos à população com preços inferiores aos praticados no mercado tradicional.
Com essa política, produtos essenciais como arroz, feijão, farinha, leite, açúcar, óleo, frango, íntens de limpeza e higiêne pessoal chegavam às prateleiras com valores significativamente mais baixos, o que ajudava milhares de famílias de baixa renda a equilibrar o orçamento doméstico.
A iniciativa se expandiu rapidamente e, em seu auge, a rede chegou a contar com mais de 300 lojas espalhadas pela Bahia, consolidando-se como uma das maiores redes de varejo alimentar vinculadas ao poder público no estado.
Segundo avaliações de críticos e analistas do setor, o processo de decadência da Cesta do Povo começou a ganhar força a partir dos anos 2000, durante o período do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesse período, a rede passou a sofrer críticas relacionadas à politização da gestão. Nomeações consideradas políticas e, segundo opositores, sem competência técnicas, teriam provocado problemas administrativos e operacionais dentro da estrutura da empresa. Relatórios e denúncias da época apontavam para irregularidades em diversas unidades, com suspeitas de desvios e prejuízos milionários acumulados ao longo dos anos.
Outro ponto que gerou forte contestação foi a mudança no perfil comercial da rede. A Cesta do Povo, originalmente criada para vender apenas produtos essenciais da cesta básica, passou gradualmente a oferecer itens considerados fora do escopo social do programa.
Entre os produtos que passaram a ser comercializados estavam bebidas alcoólicas, itens gourmet e alimentos de alto valor agregado, como salmão, camarão e outras mercadorias normalmente associadas a mercados de padrão mais elevado.
Para comerciantes tradicionais, essa estratégia provocava concorrência considerada desleal, já que a rede pública tinha acesso direto a fabricantes e fornecedores e sem a carga tributária enfrentada pelo varejo privado.
Com o agravamento das dificuldades financeiras e administrativas, o governo estadual decidiu vender a rede. A estatal, Ebal - Empresa Baiana de Alimentos - Cesta do Povo, foi negociada por cerca de R$ 15 milhões para o empresário Augusto Lima.
Posteriormente, Lima vendeu 50% da empresa por aproximadamente R$ 30 milhões ao empresário Daniel Vorcaro, ampliando o modelo de negócios para novas frentes financeiras. Uma das iniciativas que surgiram nesse contexto foi o Cred Cesta, sistema de crédito consignado direcionado principalmente a servidores públicos estaduais e municipais.
O modelo permitia compras e financiamentos com desconto direto na folha de pagamento, mecanismo que também passou a gerar críticas devido a taxas de juros consideradas superiores à média praticada na maioria das modalidades de crédito. Importante salientar, como se tratava de "Empréstimo Conseguindo", o pagamento era descontado em folha, o que deveria proporcionar uma taxa de juros muito abaixo do mercado.
Escondido pela grande mídia em apoio aos mandatário do estado e da feceraçào, hoje, a história da Cesta do Povo volta ao debate na Bahia e no Brasil por ser apontado como o início das maracutaias que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Para muitos, é triste ver o projeto que representou uma importante política social de acesso à alimentação em um período marcado por grandes desigualdades econômicas, hoje apontado como um dos pontos de partida do "Escândalo Nacional" do Banco Master.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com