
O Banco Central do Brasil determinou nesta quarta-feira (21 de janeiro de 2026) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. – o Will Bank, banco digital que operava sob controle do Banco Master, encerrando de vez as atividades da instituição no Sistema Financeiro Nacional.
A decisão foi tomada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, após constatar o “comprometimento da situação econômico-financeira, a insolvência da instituição e o vínculo de interesse com o Banco Master”, que já estava em liquidação desde novembro de 2025.
A liquidação extrajudicial representa a forma mais severa de encerramento de uma instituição financeira: todas as operações são interrompidas imediatamente, o banco deixa de funcionar normalmente e sai do sistema financeiro, com bens dos controladores e ex-administradores tornando-se indisponíveis para responder por eventuais prejuízos.
A medida ocorre após um período em que o Will Bank estava sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET), criado depois da liquidação do Banco Master, numa tentativa de manter o banco ativo enquanto se buscava um comprador. Diversas negociações foram consideradas, inclusive com investidores estrangeiros, mas nenhuma se concretizou dentro do prazo permitido, tornando inevitável a liquidação.
Outro fator determinante foi a suspensão das transações com cartões emitidos pelo Will Bank pela bandeira Mastercard, após a instituição descumprir compromissos de pagamento no sistema de cartões, o que agravou ainda mais sua situação operacional e financeira.
O impacto da liquidação também se reflete no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A liquidação do banco digital poderá elevar o valor total de resgates garantidos a investidores para bilhões de reais, uma vez que os depósitos a prazo (como CDBs) feitos por clientes do Will Bank passam a estar cobertos pelo FGC até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ — podendo chegar, segundo estimativas de mercado, a cerca de R$ 6,5 bilhões adicionais além do já significativo desembolso em curso para ressarcir clientes do Banco Master.
O Banco Central informou que seguirá com a apuração de responsabilidades administrativas, com possibilidade de medidas sancionatórias e comunicações às autoridades competentes, caso sejam identificadas irregularidades no gerenciamento da instituição.
A liquidação do Will Bank marca um dos episódios mais relevantes do sistema financeiro brasileiro em 2026, após a crise que envolveu o Banco Master, com impactos diretos para correntistas, investidores e para a confiança no segmento de fintechs associadas a instituições em dificuldades.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com