
A morte do médico Ielson Júnior provocou forte comoção entre colegas de trabalho, pacientes e moradores de Porto Seguro, cidade onde ele construiu sua trajetória na saúde pública e privada. O profissional faleceu na madrugada desta sexta-feira (13) após um grave acidente na BR-101, no trecho de São José da Vitória, no sul da Bahia, quando realizava a transferência de um paciente.
Antes de conquistar o diploma de Medicina, Ielson dedicou anos como enfermeiro no Hospital Luís Eduardo Magalhães (HDLEM), onde ficou conhecido pela postura humanizada, disposição para o trabalho e vínculo próximo com pacientes e equipes. Colegas relatam que ele era visto como exemplo de perseverança, especialmente após ingressar na Universidade Federal do Sul da Bahia, no campus de Teixeira de Freitas, realizando o antigo sonho de tornar-se médico — meta alcançada no fim do ano passado, depois de anos conciliando estudo e trabalho.
Nas redes sociais e nos corredores das unidades de saúde, multiplicam-se homenagens que destacam não apenas o profissional competente, mas o homem solidário e acessível. Pacientes relatam que ele mantinha contato mesmo fora do expediente e que frequentemente se envolvia diretamente na resolução de casos complexos de transferência e atendimento emergencial.
O acidente envolveu a ambulância em que ele estava, que colidiu com um caminhão parado na pista por falha mecânica. Após o impacto inicial, um carro que vinha atrás também atingiu o veículo. Além de Ielson, morreram no local o acompanhante do paciente, Felipe Bisco da Conceição, indígena de Aldeia Velha, no Arraial d’Ajuda, e a técnica de enfermagem Josiane Lima, que foi atropelada ao tentar pedir socorro na rodovia.
O paciente transferido foi resgatado pelo Samu e encaminhado ao Hospital de Base de Itabuna, em Itabuna. O motorista da ambulância não sofreu ferimentos.
A tragédia gerou indignação entre profissionais de saúde, que ressaltam os riscos constantes enfrentados por equipes de remoção e atendimento pré-hospitalar, muitas vezes em condições precárias de segurança nas rodovias. Em Porto Seguro, a perda é descrita como “irreparável”, especialmente por se tratar de um médico recém-formado, cuja história simbolizava ascensão profissional, dedicação ao SUS e compromisso com a vida.
Ielson Júnior deixa esposa e uma filha. Velório e sepultamento devem reunir grande número de colegas, pacientes e moradores, refletindo o impacto de sua atuação na comunidade.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com